A História de Matilde
Uma história construída entre montanhas, trilhos, café e tradição
Entre montanhas, rios, cachoeiras e antigas comunidades rurais, Matilde construiu uma história marcada pelo trabalho, pela imigração italiana, pela agricultura e pela chegada da ferrovia.
Hoje, o distrito de Alfredo Chaves é reconhecido por sua natureza exuberante, seu patrimônio histórico e ferroviário, sua cultura e a hospitalidade de sua gente. Mas, para compreender a Matilde de hoje, é preciso voltar aos tempos em que tudo começou.
As raízes italianas na História de Matilde
A formação de Matilde está diretamente ligada à imigração italiana que marcou o Espírito Santo a partir da segunda metade do século XIX.
Por volta de 1884, famílias de imigrantes italianos chegaram à região e começaram a ocupar e cultivar as terras. Nos primeiros tempos, o pequeno núcleo era conhecido pelos colonos como “Terço”, referência à terceira parada ou etapa daquele percurso de ocupação.
A vida era simples e difícil. As famílias precisavam abrir caminhos, derrubar a mata, construir suas casas e transformar a terra em fonte de sustento.
A agricultura tornou-se a base da comunidade. O feijão e o café estavam entre os principais cultivos dos primeiros tempos, formando as bases de uma economia que, durante décadas, estaria profundamente ligada à produção rural.
Foi também nesse período que começaram a se formar as comunidades, as famílias e os costumes que ajudariam a construir a identidade cultural de Matilde.
🌱 A terra como origem de tudo
Antes dos trilhos, havia os caminhos da terra.
A produção agrícola era transportada com grande dificuldade, utilizando tropas de animais e caminhos que ligavam as propriedades às áreas de comércio e aos portos.
O café, especialmente, começaria a transformar a economia regional. A expansão da cafeicultura aumentou a necessidade de melhores meios de transporte e criou as condições para uma das maiores transformações da história de Matilde: a chegada da ferrovia.
A estrada de ferro não significaria apenas a chegada do trem. Ela mudaria a maneira como as pessoas circulavam, como os produtos eram comercializados e como as comunidades se relacionavam com outras partes do Espírito Santo.
🚂 A chegada da ferrovia e a História de Matilde
No final do século XIX e início do século XX, o Espírito Santo investiu na construção de uma ferrovia que ligasse Vitória às regiões produtoras do interior, facilitando principalmente o escoamento do café.
A construção da Estrada de Ferro Sul do Espírito Santo avançou em meio a um território montanhoso e de difícil acesso. O trabalho exigia grande esforço humano e conhecimento técnico, e muitos imigrantes encontraram na construção da ferrovia uma nova oportunidade de trabalho.
O engenheiro inglês Carlos Bloomer Reeve esteve à frente das obras. A ferrovia chegou a Matilde e, em 1902, foi inaugurado o primeiro trecho da estação então denominada Engenheiro Reeve. A construção, entretanto, foi interrompida naquele momento em razão das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Governo do Estado.
Em 1907, o trecho foi incorporado pela Leopoldina Railway, que retomou as obras e prosseguiu com a ligação em direção a Cachoeiro de Itapemirim.
A conclusão dessa ligação transformaria definitivamente a região.
🏛️ Matilde nasce junto aos trilhos
A estação ferroviária que hoje conhecemos como Estação de Matilde foi inaugurada em 1910, marcando um novo capítulo na história do povoado.
A cerimônia de inauguração do trecho contou com a presença do então presidente da República, Nilo Peçanha, um acontecimento que demonstra a importância que a ferrovia havia adquirido para o desenvolvimento regional.
A estação tinha dimensões e estrutura diferenciadas. Possuía ampla plataforma, residência para o chefe da estação e um virador, utilizado para manobrar as locomotivas. Sua localização estratégica fez de Matilde um importante ponto da ligação ferroviária entre Vitória e Cachoeiro de Itapemirim.
A origem do nome Matilde é cercada de histórias. A tradição mais conhecida conta que o engenheiro Carlos Bloomer Reeve teria dado ao povoado o nome de uma mulher de sua família ou de sua convivência. Durante muito tempo, difundiu-se a versão de que seria uma homenagem à sua esposa. Registros culturais mais recentes, porém, apresentam outras possibilidades para a origem do nome.
Independentemente da versão, o nome Matilde passou a identificar definitivamente o povoado e sua estação ferroviária.
☕ O tempo do café e da prosperidade
Com a ferrovia funcionando, Matilde ganhou uma nova dinâmica.
O trem permitia transportar com muito mais rapidez a produção agrícola, especialmente o café, até os grandes centros e o Porto de Vitória.
Durante a época das colheitas, sacas de café se acumulavam nas plataformas à espera dos trens. A ferrovia também facilitava a chegada de mercadorias, pessoas e novas oportunidades.
Matilde se transformou em um importante ponto comercial da região.
O movimento gerado pelo café e pela ferrovia favoreceu o surgimento de armazéns, casas comerciais, residências e grandes construções, muitas das quais ainda podem ser percebidas na paisagem atual.
Até meados do século XX, o trem foi um dos principais meios de transporte de pessoas e mercadorias na região. A ferrovia havia feito mais do que transportar café: ela ajudou a transformar o povoado em comunidade e a comunidade em centro de referência regional.
🏘️ O distrito se consolida
Em 1919, Matilde foi elevada à categoria de distrito.
O crescimento econômico e a importância da ferrovia contribuíram para a consolidação de uma comunidade estruturada, com comércio, serviços, igrejas, escolas e espaços de convivência.
Durante décadas, Matilde viveu um período de prosperidade associado principalmente ao café e ao movimento ferroviário.
A arquitetura que ainda hoje pode ser encontrada no distrito guarda parte dessa memória: antigos casarões, armazéns e construções ligadas ao período de maior desenvolvimento econômico.
📉 O fim de uma era e a transformação do campo
A partir da década de 1960, mudanças na economia cafeeira e a chegada das rodovias começaram a alterar profundamente a dinâmica de Matilde.
A antiga centralidade da ferrovia foi diminuindo, enquanto o transporte rodoviário passou a assumir papel cada vez maior.
A comunidade rural, porém, encontrou maneiras de se adaptar.
As propriedades passaram a diversificar suas atividades agrícolas, mantendo o cultivo do café e incorporando a banana e outros produtos, que continuam fazendo parte da economia e da identidade do território.
A agricultura deixou de ser apenas uma atividade econômica. Tornou-se parte essencial da cultura de Matilde, preservando conhecimentos, receitas, modos de produção e uma relação profunda entre as famílias e a terra.
📚 A educação que abriu novos caminhos
A história de Matilde também é marcada pela educação e pela determinação de uma comunidade que buscou criar novas oportunidades para seus filhos.
Durante muitos anos, as possibilidades de estudo eram limitadas. Grande parte da população tinha acesso apenas às primeiras séries escolares e, para continuar os estudos, era necessário deixar Matilde e buscar formação em outros municípios e estados vizinhos — uma possibilidade que nem sempre estava ao alcance das famílias.
Em 1969, diante dessa realidade, a comunidade conquistou um importante avanço com a criação do Ginásio Dr. Aguinaldo Costa, uma instituição de ensino particular criada para atender à necessidade de continuidade dos estudos no próprio distrito. O nome da escola foi em homenagem ao médico Dr. Aguinaldo Costa que atuou em Matilde por muitos anos como clínico geral.
A abertura do ginásio representou uma verdadeira transformação para Matilde. Crianças, jovens e também adultos que haviam concluído apenas a antiga quarta série primária passaram a ter a oportunidade de continuar sua formação sem precisar deixar a comunidade.
Durante os dez anos em que funcionou como instituição particular, o Ginásio Dr. Aguinaldo Costa formou uma quantidade expressiva de alunos e ampliou os horizontes de toda uma geração.
Entretanto, as dificuldades para manter uma escola particular em uma comunidade predominantemente rural fizeram com que sua continuidade se tornasse inviável.
Foi então que, em 1979, por meio da mobilização e dos esforços de líderes e representantes da própria comunidade, foi conquistada uma importante transformação: a escola particular passou para a rede estadual de ensino com o nome Escola de 1º Grau Felipe Modolo, garantindo a continuidade de uma instituição que já havia se tornado essencial para Matilde.
Posteriormente, a escola passou à rede municipal, dando continuidade à missão de oferecer educação às novas gerações do distrito.
A Escola Normal Pio XII
A conquista da educação secundária também abriu espaço para um novo passo.
Com a formação da primeira turma do quarto ano ginasial, surgiu em Matilde a Escola Normal Pio XII, como extensão do Colégio Pio XII, de Alfredo Chaves.
Essa nova oportunidade permitiu que muitos dos alunos que haviam cursado o ginásio pudessem prosseguir seus estudos e concluir a formação para o magistério, correspondente, naquele período, ao ensino de segundo grau.
Para uma comunidade cuja economia estava fortemente baseada na agricultura e na produção de subsistência, a educação representou muito mais do que a continuidade dos estudos.
Representou a possibilidade de escolher novos caminhos.
A formação proporcionada pelo Ginásio Dr. Aguinaldo Costa e pela Escola Normal Pio XII permitiu que muitos jovens e adultos buscassem novas oportunidades profissionais e pessoais fora de Matilde, levando consigo os valores, a formação e as experiências adquiridas em sua comunidade.
A educação tornou-se, assim, uma das grandes forças de transformação social do distrito.
Se a ferrovia abriu caminhos para o comércio e para a economia, a educação abriu caminhos para as pessoas.
A criação do ginásio, sua transformação em escola estadual e, posteriormente, municipal, além da implantação da Escola Normal Pio XII, permanecem como capítulos importantes da história recente de Matilde — momentos em que a mobilização da própria comunidade ajudou a transformar as oportunidades e o futuro de várias gerações.
🎶 A cultura e a História de Matilde
Enquanto a economia se transformava, a cultura permaneceu como um dos grandes elementos de continuidade da comunidade.
A influência italiana continuou presente nas cantigas, na religiosidade, na gastronomia e nas festas familiares e comunitárias.
A polenta, os queijos, o café e os tradicionais produtos derivados da carne suína — como a carne conservada na banha, a linguiça, o figadel, o scudiguim e o socol — fazem parte de uma gastronomia que atravessou gerações.
As festas religiosas, os leilões, as roletas, a Folia de Reis, a Semana Santa e as celebrações dos padroeiros mantiveram vivos os vínculos entre as comunidades.
Também permanecem na memória local antigas formas de convivência e diversão, como o jogo de mora e o tradicional jogo de bola de pau nas ruas.
Assim, mesmo com as mudanças econômicas e sociais, Matilde conseguiu preservar algo essencial: sua identidade.
🎭 Arte, cultura e personalidades que marcaram Matilde
A história de Matilde também foi construída por pessoas que encontraram na comunidade inspiração, oportunidade e espaço para expressar sua criatividade.
Mesmo sendo uma pequena comunidade das montanhas do Espírito Santo, Matilde revelou talentos e acolheu manifestações artísticas que ultrapassaram os limites do distrito.
Um dos nomes mais marcantes é o de Ludovico Persici, nascido em 1899 e reconhecido como um dos pioneiros do cinema no Espírito Santo e um dos precursores do cinema brasileiro.
Inventor e apaixonado por cinema, Persici desenvolveu, em 1926, o Aparelho Guarany, equipamento capaz de filmar, projetar, copiar e medir películas. No mesmo período, produziu “Bang Bang”, considerado um dos primeiros filmes realizados por um capixaba. Em 1927, registrou seu invento, deixando seu nome ligado à história da tecnologia e do cinema brasileiro.
Sua trajetória permanece viva na memória cultural do Espírito Santo. O próprio nome de Ludovico Persici foi posteriormente incorporado a iniciativas de preservação e difusão do cinema capixaba, como a Cinemateca Ludovico Persici e o Cineclube Ludovico Persici.
Haydée Nicolussi: literatura, coragem e liberdade
Outra personalidade profundamente ligada à história de Matilde é Haydée Nicolussi.
Nascida em Alfredo Chaves e ligada à comunidade de Matilde desde a infância, Haydée tornou-se escritora, poeta e uma das importantes figuras da literatura e do pensamento capixaba de sua geração.
Sua trajetória foi marcada pela literatura, pela independência intelectual e também pela militância política. Perseguida durante períodos de autoritarismo no Brasil, sua história se tornou símbolo de coragem, resistência e liberdade.
A relação de Haydée com Matilde permanece materializada na própria Estação Ferroviária, onde um dos espaços culturais recebeu seu nome. O Salão Haydée Nicolussi tornou-se espaço para exposições, manifestações artísticas, literatura e atividades culturais, aproximando sua memória das novas gerações.
Assim, a antiga estação ferroviária passou a guardar não apenas a memória dos trens e do café, mas também a memória de uma mulher cuja trajetória ultrapassou as fronteiras do Espírito Santo.
🎬 O cinema também passou por Matilde
A ligação de Matilde com o cinema não terminou com Ludovico Persici.
Décadas depois, a própria Estação Ferroviária de Matilde voltou a ser cenário para a produção audiovisual. Em 1996, quando a antiga estação ainda apresentava sinais do tempo e estava próxima de um período de abandono, o local foi escolhido como uma das locações do curta-metragem “Flora”, protagonizado pelo ator Selton Mello.
A escolha da estação como cenário revela outra dimensão de seu patrimônio: sua arquitetura, sua paisagem e sua atmosfera histórica possuem uma força artística capaz de inspirar novas narrativas.
Matilde, assim, aparece novamente nas telas — agora não apenas como personagem de sua própria história, mas como cenário para a criação artística.
🎭 O teatro como escola de criatividade
A tradição artística de Matilde também encontrou espaço no teatro.
Durante muitos anos, a comunidade foi palco de peças teatrais e apresentações artísticas, envolvendo crianças, jovens e adolescentes. Essas atividades tiveram papel importante na formação cultural de várias gerações, oferecendo aos participantes a oportunidade de desenvolver criatividade, expressão, convivência e confiança.
Mais do que apresentações, o teatro tornou-se uma forma de educação e integração comunitária.
Muitos daqueles que participaram dessas iniciativas guardam até hoje as lembranças dos ensaios, dos palcos improvisados, dos personagens e da mobilização que envolvia toda a comunidade.
Em Matilde, a arte também foi uma forma de educar, reunir e revelar talentos.
🎨 Uma vocação cultural que continua
A presença da arte em Matilde não pertence apenas ao passado.
A Estação Ferroviária, restaurada e reconhecida como patrimônio cultural, continua sendo espaço para exposições, apresentações, projetos culturais e encontros da comunidade. O local já recebeu iniciativas de cinema, música, literatura, educação patrimonial e artes visuais.
Essa continuidade reforça uma característica importante da identidade de Matilde: a capacidade de transformar memória em cultura e cultura em novas experiências.
Dos inventos de Ludovico Persici à literatura de Haydée Nicolussi, das antigas peças teatrais às produções cinematográficas que encontraram nas paisagens de Matilde seu cenário, a arte deixou marcas profundas no distrito.
E essa história continua sendo escrita.
Matilde: um lugar onde a história inspira a arte, e onde a arte ajuda a preservar a história.
🏛️ A memória ferroviária e a Origem de Matilde
Com o passar dos anos, o movimento dos trens de passageiros foi desaparecendo e a antiga estação entrou em um período de abandono.
Mas a comunidade e as instituições reconheceram o valor histórico daquele patrimônio.
A Estação Ferroviária de Matilde, juntamente com elementos do complexo ferroviário, como o girador, a caixa-d’água, a ponte metálica e o pátio ferroviário, foi tombada pelo Estado do Espírito Santo em 1986 e posteriormente pelo IPHAN, em 2008.
A restauração realizada em 2008 devolveu à estação parte de sua antiga dignidade e permitiu que ela voltasse a receber visitantes.
Hoje, a estação representa muito mais do que uma antiga construção ferroviária. É um dos principais símbolos da história de Matilde e um elo entre o passado e o presente.
🌿 Da História de Matilde à natureza e ao turismo
Enquanto o patrimônio ferroviário despertava novamente o interesse dos visitantes, outro grande patrimônio de Matilde ganhava cada vez mais destaque: a natureza.
As montanhas, rios, trilhas, cachoeiras e formações naturais passaram a atrair pessoas interessadas em contemplação, lazer e aventura.
A Cachoeira de Matilde, o entorno do Rio Benevente, o túnel ferroviário, as paisagens rurais e os caminhos históricos ajudaram a transformar o distrito em um destino turístico.
A antiga estação, que um dia foi ponto de chegada e partida de passageiros e mercadorias, passou a ser também ponto de partida para novas experiências.
O trem deixou de transportar pessoas; a história passou a transportar visitantes para dentro da própria memória de Matilde.
🎉 Uma comunidade que continua celebrando
As tradições culturais também ganharam novos espaços.
O clube local, inaugurado em 1965, tornou-se importante ponto de encontro e continua recebendo eventos. Festas tradicionais, como o Carnaval, a Festa do Café, as celebrações religiosas e a Festa do Queijo e Vinhos, fazem parte do calendário cultural.
E Matilde continua criando novas tradições.
O Festival de Inverno de Matilde, criado recentemente, já se tornou um grande sucesso e passa a integrar o calendário anual do distrito. Gastronomia, música, cultura, natureza e hospitalidade se encontram durante a estação mais charmosa do ano, valorizando os sabores, os artistas, os empreendedores e o aconchego das montanhas.
É uma nova página da história de Matilde — construída sem abandonar as anteriores.
❤️ Matilde hoje: passado que inspira o futuro
Hoje, Matilde reúne em um mesmo território aquilo que poucas localidades conseguem oferecer de forma tão integrada.
Natureza, história, cultura, agricultura, gastronomia e aventura.
A antiga estação ferroviária conta a história dos trilhos e do café. As propriedades rurais revelam a força da agricultura. As igrejas e comunidades preservam a fé e as tradições. As festas mantêm viva a convivência. A gastronomia traduz a herança italiana. As cachoeiras, montanhas e trilhas revelam a força da natureza.
E, acima de tudo, existe uma comunidade que continua dando significado a tudo isso.
Matilde mudou muitas vezes ao longo de sua história. Foi comunidade de imigrantes, povoado rural, ponto ferroviário, centro comercial e, mais recentemente, destino turístico.
Hoje, começa a escrever um novo capítulo: o de um território turístico de natureza, história, cultura e aventura, capaz de receber visitantes sem perder aquilo que o torna único.
Matilde não é apenas um lugar que guarda histórias. É um lugar onde a história continua acontecendo.
Venha conhecer Matilde, caminhar por seus caminhos, descobrir suas paisagens, conhecer sua cultura e viver a história de um dos lugares mais especiais das montanhas do Espírito Santo.